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Envelhecer: Um olhar Terapêutico Ocupacional
O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial que vem
adquirindo características peculiares no Brasil dada a velocidade com que vem
se instalando. Este fenômeno é um desafio que nos esta sendo imposto e que nos
leva a questionar: O que é esse desafio chamado “velhice”? Esta não é uma
pergunta de fácil resposta, pois não há uma consciência clara através das
características físicas, psicológicas, sociais, culturais que anunciam o
começo da velhice.
Para alguns, a velhice é o terceiro período da vida humana. Outros classificam
as idades da vida segundo a capacidade de realizar funções vitais. Existe
ainda a “velhice decretada”, isto é, a institucionalização da velhice, através
da aposentadoria. Os conceitos sobre velhice não são unânimes. O certo, é que
começamos a envelhecer no dia em que nascemos e para alcançar a velhice
precisamos vivenciar novas possibilidades e perdas diversas. Perda da beleza e
do vigor da juventude, da vitalidade, do papel social, do trabalho, dos amigos
de longas datas, das habilidades físicas, e, não raro da saúde. O caminhar
agora se torna lento diante do mundo tecnológico e globalizado que exige
atualização, competitividade, agilidade física e mental. E não conseguindo
acompanhar, o idoso se refugia na tristeza e na anulação de si mesmo.
A Terapia Ocupacional intervém na Geriatria e Gerontologia através de ações
fundamentadas na natureza ocupacional do homem e na continuidade de seu
desenvolvimento, em uma trajetória de fazer e aprender que só se esgota com a
morte. Busca dar suporte ao idoso para ajudá-lo a resgatar seu potencial de
adaptação e superação, restabelecendo o equilíbrio, através de atividades que
despertem interesse e motivação.
O Terapeuta Ocupacional por meio das atividades faz com que o idoso busque em
sua bagagem de vida recursos que garantam a construção e reconstrução
contínua, buscando despertar o gosto pela vida, á satisfação e envolvimento
com pessoas e atividades, conservando a capacidade de sentir alegria, de se
comover diante da beleza, de deixar a vida fluir em seu ritmo, de usufruir da
sabedoria adquirida em tantos anos, retirando dentre os saberes aqueles que
ajudam a viver.
Os idosos completam o arco da existência. Eles nos falam da vida e da morte,
do tempo e da eternidade, do vigor e da fraqueza, do plantar e do colher, da
grandeza e da limitação humana. E cabe ao Terapeuta Ocupacional estar ao lado
dele para que se sinta amparado no processo de viver e morrer com dignidade.
Nágila Azevedo
Terapeuta Ocupacional e Especialista em Saúde da Mulher
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