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O que dizem as urnas? - Parte I
O pleito municipal
de 2008 consagrou mais uma vez a vontade do povo através das urnas
eletrônicas, garantindo a manutenção do sistema democrático representativo.
Mas o que há de novo revelado pelas urnas, em plena vigência do instituto da
reeleição?
A primeira análise é que nas quatro cidades da região, onde o Jornal Visão
circula, Piripiri, Pedro II, Brasileira e Domingos Mourão, a maioria dos
eleitores preferiu continuar com os atuais gestores e grupos políticos.
O prefeito de Pedro II Alvimar Martins (PDT) (que obteve 861 votos de maioria
sobre Valmir Café - PSB), Chico Amado (PSDB) de Braseira (que teve 312 votos
de maioria sobre Messias Filho - PTB) Domingos Cavaleiro de Domingos Mourão
(470 votos de maioria sobre Irinelda Gomes PTB) conseguiram a reeleição.
Coincidência ou não, a condição de estar no poder, gerindo a máquina pública
invariavelmente potencializa as condições de sucesso dos gestores-candidatos.
As urnas provaram isso.
Falando em mudança de comando, houve uma pequena em Piripiri, onde o médico
Luiz Menezes - PTB volta ao poder eleito com 1038 votos de maioria após vencer
o também médico e ex-prefeito de Piripiri, José Pinto de Mesquita (Dr. Pinto)
do PDT. Mas Menezes volta à Prefeitura depois de se afastar por apenas quatro
anos, enquanto seu sucessor, o atual prefeito municipal Odival Andrade
administrava a cidade, permanecendo o mesmo grupo político administrando.
Historicamente nessas cidades houve raros casos de mudança de poder, quando o
prefeito saía da prefeitura sem eleger o sucessor, mas não depois do instituto
da reeleição, em que o gestor comanda toda a máquina administrativa, mesmo
sendo candidato.
Mesmo sucesso eleitoral ocorreu nos governos estaduais e no governo federal,
com a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso em 1998 e de
Luiz Inácio da Silva em 2006, e de lá para cá, cresce o movimento para o fim
da reeleição, tamanha a vantagem que os gestores levam diante dos opositores,
fora do poder.
Soma-se a isso a cultura eleitoral do país do “toma lá, dá cá”, em que se
instalou um sentimento de “desesperança” generalizada aliada a uma busca
desenfreada para resolver problemas particulares. Boa parte dos eleitores que
prefere ganhar isso ou aquilo em troca de voto, na velha prática do “é dando
que se recebe”, terminam decidindo o pleito, em detrimento do voto consciente,
pautado na escolha das melhores propostas, do melhor plano de governo para a
sua cidade.
Gestores (Executivo) e parlamentares (Legislativo) dessas cidades têm agora
mais um mandato de 2009 a 2012 para cumprirem ou não os compromissos assumidos
à luz da Constituição Federal e das Leis vigentes nesse país.
Bem ou mal, só se pode avaliar se a vontade do povo foi a mais acertada para
seus respectivos municípios, com o tempo.
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